Como é bom recordar o tempo de criança e sentir a saudade dos momentos vividos no Engenho. Este tempo que passa ligeiro não apaga de nossa memória a doçura de tê-lo ainda tão próximo de nós.
Engenho Central! Lugar onde o sol parecia tão claro e forte...O seu dia sempre foi mais extenso...As suas belas tardes sempre foram anunciadas pelo revoar de andorinhas e pardais, que deslizavam livremente, passeando entre nuvens multicores. Que tardes lindas! Maravilhosas!Sem outra igual!
Suas noites frescas, serenas, escuras, cujo céu sempre estrelado, parecia traçado por linhas imaginárias que revelavam infinitos caminhos... Segredos do universo.
A lua, quando cheia, surgia por de trás da chaminé, esplendorosa. Seu brilho iluminava telhados, terreiros e as ruas, permitindo que a meninada feliz, corresse de um lado ao outro, no pique-esconde,no pega-pega, no chicotinho queimado,trazendo animação sem fim...
As pessoas que ali moravam, pareciam mais alegres. A criançada, parecia mais inocente. Todos pareciam viver felizes, despreocupados e contentes...
Ah! O tempo não pára...E hoje sinto que ele correu muito rápido...
Nós, as crianças que tivemos a alegria de tê-lo tido como berço, hoje já somos homens e mulheres, adultos. Mas, apesar de dispersos pelo destino de cada um, continuamos unidos por lembranças inesquecíveis. Sobre isto, eu não tenho dúvida!
Para nós, hoje, com certeza, o dia é muito breve, as tardes não têm cores, as noites não mostram estrelas e a luz da lua não faz sentido.
O tempo passou, é certo, mas não conseguiu apagar de nossa memória o perfume do melaço, o ranger dos carros-de-bois, o zunir dos apitos da sua chaminé, o barulho do vento _ desde o velho bambuzal ao distante canavial...
E, é certamente por isso, querido Engenho Central, que já não sendo crianças, continuamos te buscando, para quem sabe, voltarmos a sentir o brilho do teu sol, a brisa suave do teu entardecer e o frio gostoso do sereno que ainda cai nas tuas escuras noites.
Buscamos-te enfim, para deixar transparecer em nossas faces o sorriso das crianças, como no tempo do esconde-esconde, redescobrindo em cada um de seus pequenos cantos, os grandes e velhos amigos que ainda somos.
Niterói, 23/3/2000
16.11.08
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