5.3.10

Estranha Sensação

Mais um dia termina. O sol poente avermelhando o céu e o mar, me faz sentir uma enorme e estranha sensação.
A perplexidade diante de tamanha beleza deixa-me inquieta e confusa.
Se por um lado posso ver o céu e o mar, pelo outro vejo o brilho verde das folhas e o colorido inexplicável das flores no cumo das belas árvores que se juntam numa pequena reserva completando, assim, o belo cenário que posso admirar sob minha janela .
Será isto possível? Como poderia alguém imaginar tanta harmonia entre as formas e as cores? Que arquiteto poderia traçar linhas tão bem delineadas?
Por alguns instantes acreditei que a perfeição da natureza poderia, ao contrário do que se tem visto, dominar o homem.
Imaginei que o homem, diante desta magia, sem dúvida, não teria desejo de interferir ou modificar este quadro criado por Deus para que nós pudéssemos usufruí-lo pacificamente.
Quanta paz este cenário me traz. Quantos sonhos posso sonhar. Quantas lembranças eu consigo evocar...
Ah! Por que muitas vezes diante da pressa e correria por nós mesmos impostas não paramos para apreciar o colorido das flores, os tons da terra, a cor do mar, o brilho do sol, da lua e das estrelas?
Hoje pude fazer isso! Cheguei à janela, olhei para esse presente que Deus nos dá. Senti o cheiro gostoso da terra úmida, o vento suave vindo da mata e ouvi o barulho das ondas do mar.
Concluí então o quanto pequeninos somos diante de tamanha grandeza. Mesmo que tivéssemos nas mãos telas, pincéis e todas as cores das tintas, ainda assim, não conseguiríamos retratar tamanha beleza... Só mesmo o nosso Criador pode fazê-lo.
Que possa então o homem, refletir sobre sua conduta frente à natureza e seus encantos, e desta forma, inebriar-se com suas riquezas e responsabilizar-se por sua permanência, imaculada, no meio de nós.
De mansinho a noite chega... Agora é o céu que me domina. Aos poucos confirmo o misterioso brilho dos astros que cintilam ao longe me induzindo ao sono tranqüilo e reparador.
Que possa então o homem, refletir sobre sua conduta frente à natureza e seus encantos, e desta forma, inebriar-se com suas riquezas e responsabilizar-se por sua permanência, imaculada, no meio de nós.
Adormeço, enfim, com a esperança de despertar num novo dia... Talvez, quem sabe, eu possa sentir, uma vez mais, outra nova e estranha, sensação?...